Caro Nietzsche,
Não poderia deixar de elogiá-lo como filósofo, além do mais li quase todos os livros que escreveu, não obstante discordo com algumas ideias que se debruçou em vida, considero até uma grande perda de tempo, não só na sua vida mas também para mim como leitor.
Confesso que “O caso de Wagner” me influenciou na forma como selecciono a música, digamos que reaprendi a fazer escolhas, nunca tinha ouvido “Bizet” e “Carmen” deixa-me extasiado.
Dou-lhe completa razão, Wagner de facto tinha um estilo muito “decadent” diria mesmo o terror da sua época. Contudo “Tannhauser” deixa-me também um sabor algo intenso, aqueles primeiros acordes mexem comigo também… Deve ter sido difícil abandonar essa amizade, será que os dois navios não se cruzaram na eternidade das estrelas? será que conseguiu mesmo destruir esse ídolo?
Vou tratar-te por tu se não te importares, considerando-te um grande filósofo, aquela história do “Anticristo” parece-me uma revolta constante contra ti proprio. Parece-me claramente que não aceitas o facto de algo superior parecer controlar-te, na minha opinião achei o teu egocentrismo doentio.
Toda essa teoria do super-homem etc. Já o teu combate contra o Cristianismo é compreensível, até porque os argumentos que apresentas são claramente óbvios, e provavelmente a mensagem que Jesus quis dar naquela época transformou-se completamente em algo muito diferente que hoje em dia se chama Igreja ou Cristianismo.
Muitos te consideram um filósofo racista e anti-democrático, nesse aspecto tenho de condenar-te… racista é talvez das manifestações humanas que mais condeno, racismo deveria ser condenado ao ostracismo.
Para além desse combate que tens contra a moral, podia divagar sobre a moral mas vou deixar esse assunto para uma outra carta.
A música, essa entrou mesmo em decadência, como tu o previste, tenho a certeza de que mais tarde a tecnologia a destruiu de uma forma abominável.
Não sou contra a evolução tecnológica, mas sim contra o retardamento do espírito humano provocado por esta evolução, na minha opinião a tecnologia neste aspecto faz um atraso significativo na alma, aprisionando-a ao mundo material.
Bom despeço-me na esperança de voltar a ter tempo para te escrever.
Cordialmente
Guilherme Ribeiro
Não poderia deixar de elogiá-lo como filósofo, além do mais li quase todos os livros que escreveu, não obstante discordo com algumas ideias que se debruçou em vida, considero até uma grande perda de tempo, não só na sua vida mas também para mim como leitor.
Confesso que “O caso de Wagner” me influenciou na forma como selecciono a música, digamos que reaprendi a fazer escolhas, nunca tinha ouvido “Bizet” e “Carmen” deixa-me extasiado.
Dou-lhe completa razão, Wagner de facto tinha um estilo muito “decadent” diria mesmo o terror da sua época. Contudo “Tannhauser” deixa-me também um sabor algo intenso, aqueles primeiros acordes mexem comigo também… Deve ter sido difícil abandonar essa amizade, será que os dois navios não se cruzaram na eternidade das estrelas? será que conseguiu mesmo destruir esse ídolo?
Vou tratar-te por tu se não te importares, considerando-te um grande filósofo, aquela história do “Anticristo” parece-me uma revolta constante contra ti proprio. Parece-me claramente que não aceitas o facto de algo superior parecer controlar-te, na minha opinião achei o teu egocentrismo doentio.
Toda essa teoria do super-homem etc. Já o teu combate contra o Cristianismo é compreensível, até porque os argumentos que apresentas são claramente óbvios, e provavelmente a mensagem que Jesus quis dar naquela época transformou-se completamente em algo muito diferente que hoje em dia se chama Igreja ou Cristianismo.
Muitos te consideram um filósofo racista e anti-democrático, nesse aspecto tenho de condenar-te… racista é talvez das manifestações humanas que mais condeno, racismo deveria ser condenado ao ostracismo.
Para além desse combate que tens contra a moral, podia divagar sobre a moral mas vou deixar esse assunto para uma outra carta.
A música, essa entrou mesmo em decadência, como tu o previste, tenho a certeza de que mais tarde a tecnologia a destruiu de uma forma abominável.
Não sou contra a evolução tecnológica, mas sim contra o retardamento do espírito humano provocado por esta evolução, na minha opinião a tecnologia neste aspecto faz um atraso significativo na alma, aprisionando-a ao mundo material.
Bom despeço-me na esperança de voltar a ter tempo para te escrever.
Cordialmente
Guilherme Ribeiro